18
Jan
08

Tortuoso caminho da realidade

A propósito das recentes discussões descritas nos posts anteriores, não há dúvida que temos muito assunto para discutir no que toca à situação do mercado de trabalho neste e noutros países. Independentemente de ideologias e posicionamento no eixo político, é inegável que as situações são muito complexas no que toca a empregadores, empregados, mercado e leis laborais, sendo que muitas vezes cada caso é um caso.

A tentativa de generalizar situações querendo dar origem a teses dogmáticas acaba por encerrar o debate numa indefinição infrutífera.

A capacidade de trabalho, o carácter, os talentos e a formação (ou falta dela) é algo reversível, mas essencial para a nossa luta por um lugar no mundo. Esse lugar muitas vezes se encontra num papel empreendedor, dando azo a trabalhadores por conta própria. Por sua vez estes tornam-se empregadores e deparam-se com dificuldades que antes não compeendiam pois o seu posicionamento era outro e por aí moldavam suas ideias.

Neste sentido, não tenho dúvidas que quanto maior for o controlo da economia pela regulação do Estado, mais artificialismo se cria em torno da força de todos os agentes económicos, subvertem-se papéis que de outro modo estariam bem definidos, vicia-se algo que conquista o seu equilíbrio de modo espontâneo. Deste modo, acho que os contratos colectivos de trabalho são algo contranatura que tem vindo a deteriorar o poder de compra das classes de trabalhadores por conta de outrém e desincentivadores do mérito. A sua inflexibilidade paralisa o mercado de trabalho e a economia propiciando o desemprego. Por outro lado, a complexidade das relações laborais e a unicidade do indivíduo e subsequente carácter e modo de estar na vida tornam o colectivismo laboral e económico algo contranatura e obsoleto. O pós-25 de Abril tem-no vindo a demonstrar a olhos vistos e apenas o dogma e o respectivo medo cegam a população e inculcam cobardia aos sucessivos governos do bloco central, sempre submetidos à chantagem dos sindicatos com poder de paralização.

Poderia haver aqui espaço para falar no funcionalismo público e no peso do Estado na economia, mas isso daria azo a um post de uma dimensão em relação à qual eu estou aquém do rigor e sapiência necessários, correndo o risco de cair nos habituais lugares comuns, muito deles nem por isso menos verdadeiros.

Prefiro antes salientar que toda a liberdade, em especial a do mercado, torna imperiosa a existência de uma ética e de um sentido de responsabilidade, as quais eu tenho dúvidas que existam neste momento em empregadores e em empregados e nos demais agentes da economia. A pouca que existia, o socialismo e a social-democracia têm vindo encarregar-se de destruir com a sua típica mentalidade venal, controleira e corrupta. Os exemplos estão à vista de todos.

Por este motivo, embora esteja convicto que a liberdade seja o caminho, este será tão tortuoso que penso que aquilo que seria a única realidade viável se torna uma certa utopia.

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